Entre elas, 30,1% declaram ter sofrido agressões. Meninos são 24,3% - Foto: Tânia Rêgo

Meninas são as maiores vítimas de bullying nas escolas

Uma a cada quatro adolescentes considera que a “vida não vale a pena ser vivida”. A informação é da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PenSE) 2024, divulgada nesta quarta-feira (25) pelo IBGE.

 

Do total de alunos que responderam à pesquisa, 4,5% disseram não ter amigos próximos e 32% informaram sentir vontade de se machucar de propósito nos 12 meses anteriores ao levantamento. Segundo o gerente de pesquisas especiais do IBGE, Marco Andreazzi, o número de meninas que disseram se sentir dessa maneira foi mais que o dobro do de meninos.

 

“Quarenta e três por cento das meninas e 20% dos meninos. Isso é um fenômeno mais recente, é uma questão recente e crescente, e bastante preocupante. Merece ser detalhada, analisada e trabalhada. Ninguém se preocupa com eles. Em outro indicador, 26,1% dos escolares alegam sentir que ninguém se preocupa com eles, sendo 33,3% das meninas e 19% dos meninos. A diferença é muito grande, de 14 pontos percentuais”.

 

No estudo, o IBGE também investigou temas como violência, comportamentos alimentares, higiene, uso de drogas, saúde sexual e saúde bucal. Sobre bullying, de forma geral, os dados revelaram que, no Brasil, 27,2% dos estudantes relataram ter passado por isso, duas ou mais vezes, nos últimos 30 dias anteriores ao levantamento. Segundo o pesquisador, observa-se uma tendência de crescimento.

 

“A persistência, ou seja, o número de episódios de bullying, a intensidade deles aumentou. Na região Norte, esse número passa de 21,7% para 26,6%: no Nordeste 22,1% para 26,8%. Em relação ao sexo, nós temos uma diferença muito grande, de 30,1% das meninas declaram ter sofrido episódios de bullying, enquanto os meninos 24,3%. Uma diferença de 5,8%”.

 

Marco Andreazzi destaca que, entre os motivos relatados, está a aparência física.

 

“A aparência do rosto ou cabelo é o maior, com 30%; aparência do corpo, cor ou raça, uso de roupa, sapato, objetos. Não teve motivo: 26,3%, o indica um percentual alto. O cyberbullying também atinge mais as meninas do que os meninos. Então 3,2% sofrem esse tipo de agressão, sendo nas meninas 16,2% e nos meninos 10%. Nas escolas públicas um pouco maior do que nas escolas privadas”.

 

Realizada em parceria com o Ministério da Saúde e colaboração do Ministério da Educação, a pesquisa analisou informações de mais de 150 mil adolescentes, com idades entre 13 e 17 anos, matriculados em escolas públicas e privadas de todas as capitais brasileiras. A primeira edição do estudo foi divulgada em 2009. Os dados da PeNSE permitem que o governo direcione ações de cuidados com a saúde específicas para os estudantes.

(Radioagência, por Solimar Luz - Edição: Fábio Cardoso / Rilton Pimentel)

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