Uma semana após ser alvo da PF no caso Master, Jacques Wagner (PT) deixa liderança do governo Lula no Senado — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Uma semana após ser alvo da PF no caso Master, Jacques Wagner (PT) deixa liderança do governo Lula no Senado

Uma semana depois de ser alvo de operação da Polícia Federal no caso Master, o senador do PT Jaques Wagner deixou nesta quarta-feira (24) a liderança do governo Lula.

 

O senador Jaques Wagner chegou a Brasília no início da tarde. Aguardou ser chamado pelo presidente Lula. Depois da operação da Polícia Federal, na quinta-feira (18), Jaques Wagner disse, em entrevista, que havia recebido um telefonema de solidariedade do presidente Lula. Mas uma ala do governo passou a defender a saída dele da liderança no Senado.

 

A decisão só foi fechada nesta quarta-feira (24), durante encontro do senador e com o presidente Lula. A reunião foi no Palácio da Alvorada e durou quase duas horas. Depois da conversa, Jaques Wagner escreveu em uma rede social que teve uma ótima reunião com o presidente Lula, uma conversa entre amigos, e decidiram, em comum acordo, que se afastará da liderança do governo no Senado; e que vai provar inocência.

 

A operação da PF envolvendo Jaques Wagner foi autorizada pelo ministro do Supremo André Mendonça, relator do caso Master no STF. Na decisão, Mendonça declarou que "no curso das investigações, foram identificados elementos indicativos de recebimento de vantagens econômicas indevidas por Jaques Wagner, direta ou indiretamente, por intermédio de familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias vinculadas ao grupo econômico investigado".

 

No endereço usado pelo senador em Brasília, a PF encontrou US$ 49 mil em espécie e uma coleção de relógios. Na Bahia, em endereços ligados a ele, havia dólares, euros e reais, também em espécie. A PF apura a relação entre Jaques Wagner e Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, dono do Master, e se o senador teria atuado no Congresso em favor de interesses de Vorcaro.

 

Segundo as investigações, entre as supostas vantagens indevidas recebidas por Jaques Wagner, estariam viagens em aviões particulares ligados a Augusto Lima e ao Master e a negociação de um apartamento de luxo em um prédio, ainda em construção, em Salvador. A PF aponta que a transação do imóvel continuou mesmo depois da primeira fase da Compliance Zero, em novembro de 2025.

 

Jaques Wagner nega as acusações. A defesa do Senador pediu ao Supremo que decisão autorizando a busca e apreensão na casa dele seja anulada. A alegação é que o senador não atuou em favor do Master.

 

(Jornal Nacional, por Delis Ortiz)

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