Segundo ministro, decisão norte-americana tem motivação política - Foto: Valter Campanato

Mauro Vieira diz que tarifas impostas pelos EUA não se justificam

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou, nesta quinta-feira (16), que o novo tarifaço dos Estados Unidos contra produtos brasileiros não tem justificativa e que foi aplicado por motivação política. Em pronunciamento após reunião com ministros no Palácio do Planalto, o chanceler classificou como inaceitáveis e ofensivas as declarações do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

 

Demandas abusivas

 

O ministro Mauro Vieira criticou Rubio por ter atacado "de forma grosseira e arrogante o chefe de Estado de um país amigo", ao dizer que "Lula e o governo brasileiro não negociaram com os Estados Unidos de boa-fé". Nas palavras do chanceler brasileiro, o que realmente incomoda os Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter cedido a exigências consideradas abusivas durante as negociações.

 

"Claramente, o que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas no curso das negociações. Cito, como exemplo, demandas de abertura total, irrestrita e exclusiva aos Estados Unidos de setores inteiros da economia brasileira sem qualquer contrapartida para os produtos brasileiros."

 

Desde março de 2025, o governo brasileiro manteve mais de 30 reuniões presenciais, virtuais ou por telefone – nos níveis presidencial, ministerial e técnico – com autoridades norte-americanas. Somente entre Mauro Vieira, Jamieson Greer e Marco Rubio foram realizados 11 contatos, incluindo as reuniões entre os presidentes Donald Trump e Luís Inácio Lula da Silva.

 

Pix e desmatamento

 

Vieira rebateu ainda as acusações americanas sobre o sistema Pix e o desmatamento florestal, classificando as alegações como absurdas e sem lastro na realidade.

 

"As alegações e declarações de autoridades americanas sobre o Pix são descabidas. O Pix é uma infraestrutura pública de pagamentos criada pelo Banco Central e está disponível às instituições que atuam no Brasil. Não é sério falar em competição desleal gerada pelo Pix. As acusações sobre desmatamento também são absurdas. Todas as alegações dos norte-americanos para justificar a aplicação de tarifas não têm lastro na realidade."

 

O chanceler reiterou que não houve racionalidade na aplicação das tarifas e que a investigação surgiu para compensar uma derrota do governo americano na Organização Mundial de Comércio sobre tarifas unilaterais.

 

Tarifaço

 

A taxa adicional de 25% foi confirmada na noite de quarta-feira (15) e entra em vigor em 22 de julho, afetando produtos como gasolina, etanol, açúcar e tabaco. O governo brasileiro afirmou que acionará a Lei de Reciprocidade contra a barreira comercial.

 

*Radioagência, por Pedro Lacerda - Edição: Rafael Gasparotto / Rafael Guimarães

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